
Tenho um livro do escritor Stephen Covey que se chama "Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes", lendo o título, a primeira impressão que fica é de um livro de auto-ajuda, o qual eu tenho uma certa antipatia pelo gênero. Mas o livro vai muito além disso, tem um papel na minha vida muito importante que lembra as palavras do Blog da Priscila Anversa ( http://artesuavida.blogspot.com/ ), mestranda de artes e professora de artes visuais. Num post ela comenta: "_Eu, enquanto arte-educadora não posso ditar conceitos, devo dar um empurrãozinho aos meus alunos para que construam cada qual sua ideia." Ou seja, ela dá as ferramentas, o papel dela é questionar, não ditar, dar um conceito pronto, se não fosse assim, desconfio o que os alunos estariam aprendendo de verdade, se é de dentro pra fora ou vice-versa e principalmente, seria autêntico?
O mesmo papel tem o livro na minha vida, é impressionante como cada vez que leio o livro, um trecho diferente levanta o meu auto-questionamento sobre minhas percepções sobre mim mesmo e sobre o que está na minha volta, no meu cotidiano, na rotina e... NOS HÁBITOS.
Tem alguns exercícios interessantes no livro, lendo, instintivamente a gente começa a construir uma espécie de "estatuto pessoal", onde toda e qualquer atitude, opção ou escolha, a gente faz baseado nesse estatuto pessoal.
É um processo interessante, instigante, no mínimo curioso, pois ja tem dois anos que o livro está na minha cabeceira da cama e ainda hoje me vejo revendo conceitos, valores, prioridades, metas e objetivos. Digamos que tenho um bom esboço, mas o estatuto não parece "definido", nem parece possível, pois todos os dias a gente se descristaliza e ganha novos alcances.
Voltando ao ponto zero, mudança exige dedicação, entrega, auto-disciplina e ficar ligado sempre. Já perdi as contas de quantas vezes me senti frustrado, traindo a mim mesmo e meu "estatuto pessoal", desconfio, quase com certeza, que a coisa mais difícil que existe na vida é mudar hábitos. É impressionante, são "coisas" muito enraizadas na nossa essência, basta se distrair e quando a gente vê está fazendo exatamente aquilo que se comprometeu em fazer diferente.
É como digo no meu texto de apresentação: "Nunca fui anjo... Mas hoje vivo melhor comigo mesmo... Sempre arrisquei demais e como quem arrisca mais também erra mais, errei! Ainda erro! Mas hoje vivo melhor comigo mesmo..."
Percebo que posso ser meu melhor amigo ou meu maior inimigo, basta saber o quanto estou antenado e decidir para quem eu dou mais espaço na minha vida.
Mas... Todo mundo, sem exceções, tem um lado sombra, triste e pequenos aqueles que nem o reconhecem ou no auge da prepotência se acham perfeitos. Com astúcia e presteza, vagam na ignorância de nem se quer compreende-los. Se compreendendo já é difícil, sem compreender, torna-se "missão impossível".
Sei que o "textinho" tá começando a ficar comprido, mas acho que vale os devaneios, então sigo citando um exercício aplicado pelo escritor Stephen Covey na sala de aula de uma universidade.
O professor projeta uma imagem por 30 segundos e pergunta aos alunos o que eles estão vendo ali.
O circo começa a pegar fogo...
Um aluno se precipita rapidamente: _ Vejo uma senhora idosa, professor!
No outro canto da sala, outro aluno rebate: _ Que idosa? É uma menina nova, linda, glamourosa, gostaria de sair com ela!
O primeiro, convicto de estar enxergando uma idosa insiste: _ Nova? Ela deve precisar de ajuda para atravessar a rua!
A discussão ganha proporções maiores e no final tem dividido metade dos alunos convictos de estar enxergando uma senhora, outra metade uma garota jovem.
O professor então pede que um representante de cada "turma" vá até a imagem e mostrem os traços, façam a outra "turma" entender o que eles estão vendo.
Moral da história, o desenho era um só, mas podiam ter interpretações diferente, o que para um era um colar, para outro era uma boca e no final todos conseguiram enxergar os dois desenhos.
Fico me questionando, se em apenas 30 segundos vendo uma imagem a gente cria um paradigma, apenas 30 segundos (!!!) já são suficientes para discutir calorosamente, defender sua percepção e achar que o outro é um louco em não enxergar do mesmo jeito. Imagino uma vida inteira que a gente viveu e estabeleceu paradigmas de forma até inconsciente durante não 30 segundos, mas muitos anos, se alguém tentar te dizer que não é a mesma coisa, você chama o outro de louco e por ai vai.
A lição fica no fato de que não existe uma verdade absoluta, uma única verdade. Partindo disso, a gente tem convicções, mas não deve se fechar e ficar bitolado nisso, é gostoso, interessante, instigante, tentar levantar a câmera e estar sempre aberto, tentando entender a percepção dos outros, não tem uma nem duas, tem várias.
Mas voltando aos paradigmas, são alicerces dos hábitos, dei todo esse exemplo para tornar mais claro como "essas coisas" ficam enraizadas na gente no decorrer de uma vida inteira e exatamente por isso concluo: "mudar hábitos é a coisa mais difícil que existe na vida". Por outro lado, como é bom, grandioso, gratificante e descristaliazador quando a gente consegue fazer isso "full time"...
Deixo aqui o meu questionamento pra vocês, não se aplica tudo que falei numa área específica de nossas vidas, mas num todo, do contrário, a máquina, o equilíbrio, o ajuste fino está sempre fora de foco e isso não é necessariamente ruim nem bom, apenas é e trazer tudo isso para o consciente já é um bom começo.
Mãos à obra meus amigos...
Um forte abraço,
Fábio LUZ
PS- Procurei MUITO a imagem do livro, mas não achei, a imagem que ilustra esse post, tem sentido parecido, são quatro cabeças ou duas?? heheh! Sem brigas pessoal!!!
Primeiro, cadê o comentário que fiz sobre "Perder-se também é caminho"?
ResponderExcluirEscrevi pacas, não vale! rsrsrs
Bom, vejo que novamente o teu "olho" capta tudo e mais um pouco. Um trecho em meu blog deu pano pra manga, não?!!!Fico lisonjeada, claro, pq é um devaneio de um devaneio... que louco isso...Olha a sacada filosófica: o início de tudo é uma simples conversa...depois faz uma postagem, baseada em outra postagem, mas que remete a uma conversa...que remeterá a outras conversas, outras postagens?
Entendeu? quase me perdi no meu próprio raciocínio! Credo
Mas é isso aí guri! continue pensando, escrevendo, compartilhando!
Os leitores assíduos darão a maior força!!!
Beijossss
Pri, nao vi teu comentario no "perder-se também é caminho", acho que não chegou, pois até cogitei de o Afonso ter errado na hora de moderar, mas fui olhar no e-mail direto e nem lá tinha chegado.
ResponderExcluirManda de novo!
Valeu pela força, tem um dedinho ou mais teu por ai... rsrss
bjao!
É parece que temos um gaúcho filosofando por aqui...[rs] E que prazer poder filosofar com ele, né? Blogs fazem isso mesmo conosco.
ResponderExcluirRealmente, muito pertinente suas colocações, Fábio.
Paradigmas, estão o tempo todo nos prendendo a olhares "discordantes" dos nossos! Será que "discordante" existe? E daí se não existir? Acabei de inventar, afinal pra que serve o neologismo? Lembra-se dele nas aulas de protuguês e sociolingüística?
Pois então, só pra relembrar=> "Neologismo é um fenômeno linguístico que consiste na criação de uma palavra ou expressão nova, ou na atribuição de um novo sentido a uma palavra já existente..."
Contraditório, né? A lingüística aprova e até deu nome para um comportamento fora dos 'paradigmas sociais', mas mesmo tendo uma certa aprovação, ainda assim, muitos irão torcer o nariz se você disser "Me passa o guardador de suco?" (Se estiver se referindo a JARRA de suco!)
Confesso, que me empolguei contigo nesse assunto, apesar de ser um tanto "quadrada" para certas coisas nessa vida, após muito tempo presa numa caixinha de "faça isso e ou não faça aquilo", comecei a PERMITIR-ME certas regalias, por assim dizer.
Penso que, de tudo se tiram boas lições nessa vida, até dos paradigmas que nos são impostos, então, mudaria o tão famoso jargão do "vamos quebrar paradigmas", para outro, tb conhecido, mas acho que um tanto esquecido,mas de maior relevância (pelo menos pra mim), relembrando Lulu Santos e fazendo, então, referência à sua música "tempos modernos" => VAMOS NOS PERMITIR!!!
Permita-se mais, esqueça os paradigmas se pra você eles não são o principal, o primordial. ERRE! Aprenda com seus erros...Enfim, VIVA e continue errando!!! Quando você acertar mutos dos desacreditados em você já estarão bem longe, curtindo seus pessimismos...Viva TUDO que há pra viver!
♫...pois não há tempo que volte...♫
Abç e continue escrevendo, hein! Vc manda muito bem! ;)
Karen Bianchini
P.S: Desculpe se vc não gosta do Lulu...É que ele está na minha lista de "favoritos musiciais", mas, isso não é um paradigma, ok? [rs]
Olá, luzes
ResponderExcluirO mais doido de fabricar paradigmas é que a gente se apega tanto aos nossos, que fica praticamente impossível pensar, sequer por um minuto, que aquela "auto-verdade" não seja mesmo absoluta.
Em 2009, percebi isso de perto ao participar de uma discussão numa comunidade no orkut, onde usei o exemplo que o direito à vida é o primeiro e mais básico direito da humanidade. Falávamos de aborto, sacrifícios humanos nas culturas ancestrais, morte de animais em cultos religiosos, coisas assim...
Pois é, um carinha lá me fez ver que esse tal direito absoluto à vida é só uma idéia, e que é muito verdadeira pra mim mas não quer dizer que é necessariamente uma verdade absolutíssima.
Ou seja, qdo penso, por exemplo, que os ancestrais não conheciam o sagrado mais evoluído, e por isso sacrificavam virgens em seus rituais, na real é um "preconceito" meu porque não está escrito em lugar nenhum que a vida é o primeiro direito de um ser humano. Isso sou eu que acho e ponto final.
Tenho certeza de que nesse momento é bem provável que vc esteja pensando "tô entendendo o exemplo, mas vida é vida, não é? ninguém tem o direito de tirar a vida de outro em função das suas convicções, péra lá, tem casos e casos, tudo tem um limite etc etc etc". Se vc está pensando assim, embarcou como eu no seu próprio paradigma. Apesar de não parecer, o mundo não é não o que mente pensa que é.
Parabéns pelo blog, abração
RICARDO MARTINS
http://ricardomartins1111.blogspot.com/
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